
Os portugueses consomem cerveja maioritariamente em momentos de convívio ou às refeições, um hábito culturalmente enraizado nos países do Sul da Europa. Dados da Brewers of Europe revelam que o consumidor português demonstra maior moderação no consumo, registando um valor anual per capita de 59 litros. Este valor contrasta significativamente com o de outros países europeus, como a República Checa (128 litros), a Áustria (99 litros) ou a Alemanha (88 litros). Relativamente aos hábitos de consumo, os portugueses consomem cerveja preferencialmente fora de casa (68%), enquanto a média na UE-27 se situa em apenas 25%. Esta realidade sublinha que o consumo típico de cerveja em Portugal está intrinsecamente ligado às ocasiões sociais. Atualmente, o consumidor diversifica cada vez mais as suas escolhas, optando por cervejas sem álcool (0,0%) em contextos de moderação, por variedades de baixo teor alcoólico em eventos sociais, e por cervejas de diferentes sabores e estilos em momentos de experimentação.
A cerveja é uma bebida milenar, obtida por fermentação a partir de malte de cereais, lúpulo, levedura e água. Desse processo biológico de fermentação resultam não só o álcool natural (até 5% em volume), mas também centenas de nutrientes, entre os quais vitaminas, antioxidantes, minerais e fibras. A cerveja possui um menor teor alcoólico comparativamente a outras bebidas com álcool como vinho e espirituosas, que foi o que se procurou destacar na comunicação mediática através da cultura cervejeira, afastando o consumo de bebidas alcoólicas como apenas a ingestão de álcool. Se Portugal figura nas estatísticas mundiais como um dos primeiros países em consumo de álcool per capita, este facto tem muito pouco a ver com o álcool presente na cerveja. Se assim fosse, e considerando apenas a União Europeia, Portugal não ocuparia o 17.º lugar como consumidor per capita de cerveja.
Este foi também um ano em que algumas vozes ligadas ao ramo europeu da Organização Mundial de Saúde procuraram associar o consumo de álcool a um consumo de risco, tal como o tabaco, e a uma ligação direta a diferentes tipos de cancro, ignorando propositadamente a distinção entre consumo moderado e responsável, e o consumo excessivo e abusivo. A Associação Cervejeiros de Portugal entende que todos os estudos científicos devem ser considerados, e quando tal acontece, revela-se que não existe um consenso generalizado na comunidade médica e científica para a validação de tais afirmações. No caso do cancro, esta é uma doença multifatorial, existindo mais de 30 fatores que contribuem para o seu desenvolvimento, sendo o álcool apenas um desses trinta. Contudo, a cerveja, como qualquer outra bebida alcoólica, deve ser consumida por indivíduos saudáveis, maiores de idade e de forma moderada. Se consumida nestas condições, é compatível com uma dieta equilibrada, conforme os estudos científicos têm demonstrado.