
· Estudo da Nova SBE revela a dimensão económica e social do setor cervejeiro e o seu impacto na restauração, hotelaria, turismo, agricultura e logística.
· Cada emprego direto na indústria cervejeira suporta 68 postos de trabalho na economia portuguesa.
· Portugal mantém-se entre os poucos mercados europeus em crescimento, com aumento moderado da produção e das vendas em 2025.
· Cerveja sem álcool cresce mais de dez vezes acima da categoria tradicional e reforça a capacidade de inovação do setor.
· Setor destaca o papel da cerveja enquanto bebida de baixo teor alcoólico, ideal para um consumo equilibrado e social.
O setor cervejeiro contribui para a sustentabilidade de mais de 170 mil postos de trabalho e para a geração de valor em múltiplos setores da economia portuguesa, representando atualmente cerca de 7,3 mil milhões de euros de impacto económico global, o equivalente a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Estas são as primeiras conclusões do estudo "Impacto Socioeconómico do Setor Cervejeiro em Portugal", desenvolvido pela Nova School of Business and Economics (Nova SBE) para a APCV - Cervejeiros de Portugal, apresentado durante a Cimeira que reuniu, em Lisboa, as várias associações cervejeiras europeias.
O relatório completo será divulgado na semana do Dia Internacional da Cerveja, efeméride que se assinala na primeira sexta-feira de agosto, este ano, celebrada no dia 7 de agosto de 2026.
O efeito multiplicador e criador de emprego em Portugal
Mais do que uma indústria, a cerveja funciona como um elo entre diversos setores estratégicos da economia portuguesa. O estudo demonstra que a atividade cervejeira assegura emprego direto, indireto e induzido - 170.283 postos de trabalho em Portugal, representando cerca de 3% da população ativa nacional. Na prática, por cada emprego direto na indústria cervejeira geram-se 68 postos de trabalho na economia portuguesa.
Este efeito multiplicador deve-se a Portugal apresentar uma característica singular no contexto europeu. Cerca de 70% do consumo nacional de cerveja realiza-se através do canal HoReCa - hotéis, restaurantes, cafés e bares — o valor mais elevado da Europa. Esta realidade reflete a forte dimensão social da cerveja na cultura portuguesa, consumida fora de casa, e o papel que o setor desempenha na dinamização da atividade económica por todo o país.
O impacto fiscal e financeiro na economia
A relevância económica do setor é igualmente visível nas contas públicas. Em 2025, a atividade cervejeira gerou mais de 331 milhões de euros em receitas fiscais diretas para o Estado, através do IVA e do Imposto Especial de Consumo (IEC). No entanto, estes valores representam apenas uma parte do impacto fiscal gerado pelo setor. Através da sua ligação à restauração, hotelaria, turismo, agricultura, logística e comércio, a cerveja contribui para a geração de receita fiscal muito para além da indústria, razão pela qual o estudo da Nova SBE estima um impacto fiscal global de cerca de 2,3 mil milhões de euros em toda a economia portuguesa, incluindo impostos diretos e indiretos (como o IVA, IRS, IRC e contribuições para a Segurança Social).
Adicionalmente, o estudo demonstra a elevada complementaridade financeira do setor: cada euro de Valor Acrescentado Bruto (VAB) gerado diretamente pela indústria cervejeira traduz-se em 18,37 euros de VAB total na economia portuguesa. Este efeito multiplicador revela que por cada 1 euro gerado diretamente no setor cervejeiro são gerados 12 euros na produção global da economia nacional. Significa que, caso a atividade direta do setor sofra uma contração de 1%, o impacto negativo gerado na economia global será multiplicado por 12.
Cerveja como aliada da moderação e da socialização
Num momento em que os consumidores procuram, cada vez mais, um estilo de vida equilibrado, o setor cervejeiro reafirma-se como um promotor ativo da moderação. Sendo uma bebida de baixo teor alcoólico por excelência, e profundamente associada à partilha gastronómica e a momentos de convívio social, a cerveja enquadra-se de forma natural em padrões de consumo consciente e responsável, distinguindo-se claramente de outras bebidas espirituosas.
Rui Lopes Ferreira, Presidente dos Cervejeiros de Portugal assinala que "Os números agora divulgados mostram aquilo que torna Portugal um caso único na Europa. Cerca de 70% da cerveja é consumida fora de casa, fazendo da cerveja um importante motor da hospitalidade, do turismo e da vida social do país. Quando falamos de cerveja, falamos também de milhares de empresas, trabalhadores e comunidades que dependem desta cadeia de valor e do seu forte efeito multiplicador na economia portuguesa. Não é apenas o impacto direto na economia portuguesa que está em causa, mas sobretudo o seu efeito multiplicador. E falamos igualmente de um contributo relevante para a vitalidade social e cultural do país, através do apoio a eventos, iniciativas e espaços de convívio que ajudam a dinamizar os territórios e a aproximar pessoas."
Num ano em que os Cervejeiros de Portugal assinalam o seu 40.º aniversário, destaca-se ainda a profunda transformação do setor ao longo das últimas décadas. Atualmente contam-se cerca de 100 cervejeiras no país, em que 95% destas empresas são PME, refletindo o dinamismo empreendedor que marcou o surgimento de dezenas de projetos cervejeiros nos últimos anos. Enquanto algumas destas empresas permanecem ligadas à produção artesanal, outras evoluíram com notável resiliência para operações de maior dimensão, contribuindo para a diversificação, inovação e valorização da cultura cervejeira nacional.
O desafio da assimetria fiscal
Apesar desta evolução, o setor continua a enfrentar desafios relevantes em matéria de competitividade, equidade e enquadramento fiscal. A cerveja permanece sujeita à taxa máxima de IVA e ao IABA – Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas –, ao contrário do vinho, que beneficia de um regime de isenção neste imposto especial de consumo. Trata-se de uma assimetria fiscal histórica que assume particular relevância num setor responsável por mais de 170 mil empregos e por uma importante cadeia de valor económica e social espalhada por todo o território nacional.
Rui Lopes Ferreira assinala, ainda, que "Não defendemos a eliminação deste imposto. Defendemos previsibilidade. Tal como sucede noutros mercados europeus, um congelamento plurianual do IABA permitiria às empresas planear investimentos de longo prazo, reforçar os seus compromissos de sustentabilidade e continuar a sustentar a vasta cadeia de valor económica e social associada ao setor cervejeiro. Espanha, cujo IEC é metade do de Portugal, assegurou o seu congelamento por cerca de vinte anos. Este impacto é ainda mais significativo quando consideramos as PME cervejeiras em Portugal. Muitas delas nasceram na última década e continuam a afirmar-se num mercado exigente, contribuindo para a inovação, diversidade e dinamização económica das regiões onde operam. Para continuarmos a investir na transição ecológica, a apoiar a inovação, a reforçar a competitividade das empresas e a proteger os milhares de empregos que este ecossistema sustenta, é fundamental que o setor beneficie de um quadro regulatório e fiscal estável, previsível e equilibrado, assente no diálogo, na proporcionalidade e na confiança."
Mercado português manteve trajetória positiva, mas moderada, em 2025
Os Cervejeiros de Portugal, associação que representa a praticamente totalidade dos produtores a operar em território nacional, assinala igualmente os resultados do setor referentes a 2025, um ano marcado por um crescimento moderado, num contexto de estabilização do mercado europeu e de reforço da contribuição económica e fiscal da atividade cervejeira.
A produção nacional cresceu 1,73%, enquanto as vendas aumentaram 0,88%. Num contexto em que vários mercados europeus registaram estagnação ou contração, Portugal manteve uma trajetória positiva, posicionando-se, a par de Espanha, entre os poucos países europeus a apresentar crescimento. Este desempenho deve-se, em grande medida, à relevância do turismo para a economia nacional e à singular importância do canal HoReCa em Portugal, responsável por cerca de 70% do consumo de cerveja, a percentagem mais elevada da Europa.
O principal destaque do ano foi, contudo, a evolução da cerveja sem álcool. Em 2025, a categoria registou um crescimento de 11,45%, significativamente acima da média dos últimos anos, situada entre os 6% e os 8%. Este segmento representou cerca de 27% do crescimento total do mercado doméstico, contribuindo com mais de 14 mil hectolitros adicionais para um crescimento global de 55 mil hectolitros.
Contudo, apesar desta trajetória dinâmica que reflete a forte aposta da indústria na inovação e na diversidade de oferta, a categoria ainda apresenta uma margem de progressão muito significativa em Portugal. Atualmente, a penetração da cerveja sem álcool no mercado nacional é de apenas 8%, um valor modesto quando comparado com o mercado vizinho de Espanha, onde esta categoria já representa 34% do consumo de cerveja. Este contraste demonstra que existe ainda um enorme caminho a percorrer e um forte potencial de crescimento para o segmento da moderação em Portugal.
Para Carlota Burnay, Secretária-Geral dos Cervejeiros de Portugal: "A evolução da cerveja sem álcool demonstra a capacidade do setor para inovar e responder às novas expectativas dos consumidores. Importa recordar que esta não é uma resposta recente às tendências de mercado ou às pressões regulatórias. As primeiras referências sem álcool surgiram há mais de três décadas, refletindo uma preocupação antiga da indústria cervejeira em oferecer alternativas compatíveis com escolhas de consumo mais moderadas. O crescimento que hoje observamos é o resultado de décadas de investimento em tecnologia, qualidade e inovação."
Num contexto internacional marcado pela volatilidade económica e geopolítica, o setor cervejeiro português continua igualmente a investir na modernização dos seus processos produtivos, na eficiência dos recursos e na inovação dos seus produtos. Atualmente, cerca de 40% do volume de vendas é comercializado em embalagens reutilizáveis, refletindo o compromisso das empresas com modelos de produção cada vez mais eficientes e circulares.
Sobre os Cervejeiros de Portugal:
Com 40 anos, os Cervejeiros de Portugal são uma Associação de setor, sem fins lucrativos, que representa as empresas que, em território nacional, exerçam a indústria da produção e/ou enchimento de cerveja. Os Cervejeiros de Portugal têm como principais objetivos ser a voz da Indústria Cervejeira Nacional em Portugal junto da União Europeia e de organizações internacionais e apoiar política e legislativamente o setor em todas as suas vertentes, incrementar e fortalecer a produção sustentada de cerveja, garantir à Indústria Cervejeira Portuguesa o direito de ser competitiva e inovadora e promover a responsabilidade do setor em relação ao Consumo Responsável, Ambiente, Segurança Alimentar, Saúde & Nutrição e Comunicação Comercial.
https://www.cervejeirosdeportugal.pt/
Para mais informações, contacte:
Beatriz José | beatriz.jose@bursonglobal.com | 915 625 489
Helena Guia | helena.guia@bursonglobal.com | 912 334 706